Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...
Fernando Pessoa tinha um heterónimo feminino, Maria José, rapariga doente que a cada dia via passar o seu amor pela rua, mas que embora sabendo que nada poderia ter dele sonhava que um dia poderia receber um pouco do seu amor. A letra deste fado são as palavras escritas pelo poeta para esse seu outro existir.
Não sei porque partiste mais uma vez sem me avisar e no meio de um silêncio tão profundo.
Estranhei a tua ausência se bem que saiba que o teu mundo não cabe no tempo e não tem lugar.
Mas dentro de mim, e sem me avisares, sei que irás regressar porque sou para ti um porto de abrigo.
Enquanto espero, a cada noite me visto de estrelas e me deito sobre uma colcha azul profundo. O meu brilho te guiara de novo para mim, meu amor, meu amante, meu amigo.