Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

TARDE DE CHUVA


Está triste a tarde, amor,

Tal como eu. 

Revejo-me no cinza insistente do céu

e sinto como lágrimas a chuva que lá fora cai.



Esta penumbra lembra-me saudade

ausência de corpos em intimidade

grito solitário que de minha alma sai.


SS

sábado, 12 de outubro de 2013

BRAÇOS


Que saudades tenho dos teus braços

não por causa dos abraços

como poderás talvez pensar. 

Eles são realmente saborosos

tal como um leito

e neles me consigo embalar.



Mas não é por isso só

que tenho saudades dos teus braços.

Eles são o pilar que me sustém

e me impede de cair e magoar.

Trave segura do meu corpo

esses teus braços 

são o que  primeiro me enlaça

para  depois me puderes amar.
 
SS

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

BOM DIA, AMOR

Fernando Pessoa tinha um heterónimo feminino, Maria José, rapariga doente que a cada dia via passar o seu amor pela rua, mas que embora sabendo que nada poderia ter dele sonhava que um dia poderia receber um pouco do seu amor. A letra deste fado são as palavras escritas pelo poeta para esse seu outro existir.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013


Não sei porque partiste mais uma vez
sem me avisar
e no meio de um silêncio tão profundo.

Estranhei a tua ausência
se bem que saiba que o teu mundo
não cabe no tempo
e não tem lugar.

Mas dentro de mim,
e sem me avisares,
sei que irás regressar
porque sou para ti um porto de abrigo.

Enquanto espero,
a cada noite me visto de estrelas
e me deito sobre uma colcha azul profundo.
O meu brilho te guiara de novo para mim,
meu amor, meu amante, meu amigo.


SS

terça-feira, 8 de outubro de 2013

ESPAÇO VAZIO


Não sei explicar
nem encontro palavras que me sirvam
para te dizer como estou, como me sinto
dentro deste muro a que alguém chamou saudade.

Feito de dias que conto sem somar
e de horas que passam a voar
tentando, sem conseguir,
travar a sensação da perda,
esse tempo que nos negam partilhar
é um espaço vazio onde nunca poderemos
viver o nosso amor em liberdade.
 
SS