Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...
Junto da praia,
neste pôr de tarde,
cada lufada de vento
arrastou no seu torvelinho
um beijo para me entregar.
E a minha face ficou perfumada
por dois odores diferentes:
um que, de longe, brotou de ti
e o outro que me trouxe o mar.
SS
Vem. Não me perguntes para onde, mas parte comigo. Cruzemos o céu e o mar sem rumo certo e sem tino. Confia em mim sem questionar. Olha-me nos olhos apenas e deixa-te levar. Desfrutemos plenamente da viagem onde o que menos interessa é o ponto de destino. SS
Pôs-se triste a tarde cinzenta e ventosa. Sugere recolhimento, um livro, um filme na televisão, um delírio culinário para um jantar requintado ou … outras coisas que não comento...
Porque voo em sonhos e porque sonho voando? Porque deixo a minha alma perder-se neste eterno procurar de um sítio para ter paz ou apenas repousar?
Nesta busca incessante e persistente nunca achei pouso nem lugar em que pudesse por fim parar...
Porque me revelas o horizonte em cada abraço, em cada palavra, em cada gesto, em cada olhar, talvez tu sejas o tal espaço que procuro há tanto tempo para estar.