Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

SESTA


 
Nesta tarde de céu azul e morno

em que tudo está quieto à nossa volta

apetecia-me dormir um largo sono.

E, quando acordasse, fazê-lo no teu regaço

Tendo como manta um sorriso

e como travesseiro um grande abraço.
 
SS

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ESPAÇO PARA ESTAR


Porque voo em sonhos
e porque sonho voando?
Porque deixo a minha alma
perder-se neste eterno procurar
de um sítio para ter paz

ou apenas repousar?

Nesta busca incessante
e persistente
nunca achei pouso nem lugar
em que pudesse por fim parar...

Porque me revelas o horizonte em cada abraço,
em cada palavra, em cada gesto, em cada olhar,
talvez tu sejas o tal espaço
que procuro há tanto tempo para estar.


SS

domingo, 8 de setembro de 2013

A PROPÓSITO DE ABRAÇOS

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

AMOR SERÔDIO

 
O nosso amor 

é como um tinto juvenil

que, bem tratado,

fermentou e se adoçou.

Maturou,

ganhou em corpo e vigor,

perdeu os arroubos da juventude,

envelheceu,

e abriu em sabor.

 

SS

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

REGRESSO


Sou ave migrante.
Acompanho o ritmo dos dias,
vivo em função das estações
e o meu voo é sempre para além
do que podes alcançar.

Para me teres, contudo,
não precisas de muito:
basta mandares-me um recado pelo vento,
meu timoneiro neste eterno viajar.

Logo que o receba
de onde quer que eu esteja,
por mais longe que seja esse lugar,
regressarei
porque eu "sinto" sempre
onde te posso encontrar.


SS

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

AMOR INTEIRO


Senti-te chegar bem de mansinho,
como se fosses uma brisa a passar.
Brilhavam nos teus olhos mil estrelas
que desfiavam os raios de luar.
Entraste na cama e procuraste-me.
Nesse momento
toda a luz que vinha lá de fora
estendeu-se sobre nós
e iluminou o nosso leito
onde, para ser inteiro,
o amor é sempre feito devagar.


 SS