Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...
Porque voo em sonhos e porque sonho voando? Porque deixo a minha alma perder-se neste eterno procurar de um sítio para ter paz ou apenas repousar?
Nesta busca incessante e persistente nunca achei pouso nem lugar em que pudesse por fim parar...
Porque me revelas o horizonte em cada abraço, em cada palavra, em cada gesto, em cada olhar, talvez tu sejas o tal espaço que procuro há tanto tempo para estar.
Senti-te chegar bem de mansinho, como se fosses uma brisa a passar. Brilhavam nos teus olhos mil estrelas que desfiavam os raios de luar. Entraste na cama e procuraste-me. Nesse momento toda a luz que vinha lá de fora estendeu-se sobre nós e iluminou o nosso leito onde, para ser inteiro, o amor é sempre feito devagar. SS