Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 6 de agosto de 2013



Nasci banhada pelas marés,
cresci com as sirenes dos navios
e os pregões cantados das peixeiras.
O destino desenhou a minha rota
num areal dourado
à hora em que partia a frota
para mais um tempo de canseiras.

Por isso o destino marcou-me fatalmente
e embora o meu corpo seja o de gente
a alma que carrego é de gaivota.


SS


domingo, 4 de agosto de 2013

SILÊNCIO

 O som das tuas palavras 

serve-me de vestido 

na tua ausência. 

Com ele tapo a nudez

de cada um os dias que passam 

sem te ver

sem te sentir

sem te tocar

e submersa pela tua mudez.


SS

quinta-feira, 1 de agosto de 2013


Não espero fazer nada

que te perturbe o repousar.

Fico calada, à espera,

que te volte uma nova vontade

de partir com um outro caminhar.
 
SS

segunda-feira, 29 de julho de 2013

APENAS

Apenas no sono 

encontro a paz . 

Apenas no teu olhar 

eu me reconheço.

Apenas vivo porque sou capaz

de resistir à dor de não poder estar

com quem me aquece quando arrefeço.


SS

quinta-feira, 25 de julho de 2013

VIVER

Abre os braços bem abertos,

rodeia-me com eles

e mima-me como se me quisesses adormecer.

Depois deixa-me sonhar e não mais me despertes.

Ter-me em mim dessa maneira

É a mais doce forma de viver.


SS

quarta-feira, 24 de julho de 2013

ABRAÇAR

Não contei cada dia

cada hora

cada minuto

cada segundo

que vivi neste tempo longo

sem te sentir nem olhar.


Hoje somei todos eles

para tentar entender

como fui capaz de resistir sem ti

e viver sem te abraçar.


SS