Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 24 de julho de 2013

ABRAÇAR

Não contei cada dia

cada hora

cada minuto

cada segundo

que vivi neste tempo longo

sem te sentir nem olhar.


Hoje somei todos eles

para tentar entender

como fui capaz de resistir sem ti

e viver sem te abraçar.


SS

sábado, 13 de julho de 2013

BOA NOITE


Boa noite, amor,

mesmo a esta distância

sem ocasião 

de me responderes.

Mas,


sabes,

não consigo calar toda esta ânsia

que me avassala

sempre que vou dormir

sem me quereres.


SS

quarta-feira, 10 de julho de 2013

FOTOGRAFIA

Hoje,

no meio do meu trabalho,

por entre ficheiros e arquivos

dos que tenho escrito ou consultado

para dar vida a dois textos renascidos,


encontrei-me com a tua fotografia.


Fiquei parada,

olhei-te longamente

e enchi os meus olhos de ti.


Deus meu,

Há quanto tempo te não via...


SS

quarta-feira, 26 de junho de 2013

ABRAÇO



Sentir-te procurar-me de mansinho
olhando-me como se olha o que se quer,
roçares na minha a tua pele
alisando-a como  se fosse um malmequer,
saber que estás ali a esperar
que eu acorde

para me puderes amar,
faz-me pensar que vivo em outro mundo
em que nada mais existe
para além desses teus braços
abertos num abraço
em que me afundo.


SS

sábado, 22 de junho de 2013




E pronto

Dizem que hoje chegou.

Por aqui anunciou-se

mas não se mostrou. 

Mais propriamente

apenas espreitou. 


num dia igualzinho ao de ontem

com um vento de pavor…


Resumindo:
Já chegou o Verão
mas não o calor.

SS

terça-feira, 18 de junho de 2013

NEM SEMPRE SILÊNCIO


O meu silêncio
não é por nada ter para te dizer.
Antes pelo contrário
tenho tanto
que todas as palavras que escrevesse
não chegariam para o fazer.

Dizer-te quanto sinto a tua ausência
quanta falta me faz o teu olhar,
o teu sorrir, o teu pensar,
a maneira como te diriges a mim
as conversas que travamos,
as gargalhadas que sobre nós damos
é muito pouco para o que haveria a contar.

Sei que falamos diariamente
mas ouvir e não te ver
rouba-nos a sensação do toque e da presença
pequenos grandes nadas que nos ligam
e uma forma quase completa de contigo conviver.

SS