Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 11 de junho de 2013




Hoje não me apetece falar de amores,
felizes ou infelizes,
de ausências ou de saudades,
de lágrimas derramadas
pelos males do coração,
de fugazes abandonos
por crises de ciumeira,
de bilhetinhos de amor
que não chegam ao destino
por desvio ou distracção.


Não, hoje não farei nada disso.
Vou dedicar-me à leitura.
Sofrer tanto pelos outros,
os que amam ou desamam,
como se fosse eu a vítima
é tarefa que satura.


SS

domingo, 9 de junho de 2013

ENCONTRO

Encontro-me comigo

no desaguar do nosso amor
quando somos um ser em dois corpos
que se unem,
que se sentem,
que se querem com ardor.
 

Encontro-me comigo
no silêncio que guardamos,
na troca cega de olhares
no toque quente das mãos.
Encontro-me comigo
sempre que estamos.
 
SS

sábado, 8 de junho de 2013

SIMPLESMENTE QUADRA


 
 
Nunca me dizes a palavra amor
Por isso preciso de traduzir
o teu “gosto” pelo que quero ouvir.
Será por vergonha ou por pudor?
 
SS

sexta-feira, 7 de junho de 2013


Deixa-me repousar em ti
sentir-me nuvem
sem peso,
sem forma
e até sem cor,
assim como algo inexistente.

Repousar em ti
dessa maneira
num espaço vazio de tudo,
sem luz, sem som, sem movimento,
na evasão total dos nossos corpos,
seria uma forma de amarmos bem diferente.


SS

quinta-feira, 6 de junho de 2013

FÓRMULA



Apetecia-me dizer-te tanta coisa!...
Contar-te tudo quanto fiz desde manhã,
coisas pequenas, é certo
mas muitas e variadas
para manter ocupada a minha mente
e assim lembrar-me menos de ti.

Não penses em nenhum momento

que isto é por desamor
É apenas um modelo que criei
para tentar perceber
se a saudade pode ser a forma adequada
para conhecer um outro lado do amor.


SS

quarta-feira, 5 de junho de 2013

SAUDADES DOS DIAS










Boa noite, amor.
Neste fim de um dia
que teima em não acabar,
que me encheu de cansaço,
mas foi curto para matar a saudade
de um grande uma amizade
vinda do outro lado do mar,
em que brindamos à vida
frente a um mar azul de fundo,

senti saudades de ti,
do tempo em que que não havia ausência
e o mais longe para nós
era apenas o AQUI.


SS