Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 1 de maio de 2013

AMAR

Gosto de si
não sei como
nem porquê
mas sei que gosto
apenas porque sim.

Será que sou amada
de um modo afim?



SS

segunda-feira, 29 de abril de 2013

DIAS VAZIOS


Cada dia é uma espera diferente
uma expectativa nova
um que fazer noutra direcção.
Nada me prende

Esqueço o que pensei na véspera
e refaço tudo de novo para o dia seguinte.
Perdi a ambição.

Não aguardo as madrugadas
nem me despeço das tardes.

Por isso não vejo auroras
nem me prendo aos acasos.
Acabou-se-me a ilusão.


Para quê o pensar
para quê o sonhar
para quê o querer
quando para mim só restam

a saudade e a solidão?

SS

sábado, 27 de abril de 2013

REFLEXÃO


Abre a tua mão,

mas bem aberta

como se fosses afagar alguém.

Em seguida encosta a tua mão à minha

e cruza os teus dedos com os meus.

mas cruza-os muito bem.


Depois olha-me nos olhos longamente

para que eu perceba tudo que há em nós

e nos une sem contudo nos prender.

Também o  ar que respiramos

é como se fosse uma amarra,

mas sem ele nunca poderíamos viver.


SS

sexta-feira, 26 de abril de 2013

FOSTE AO MAR



Foste ao mar marinheiro
com rumo desconhecido.
Partiste só e calado
Que te terá feito partir?
O sonho de uma aventura
ou tão somente fugir?

Deixaste atrás a saudade
nas lágrimas de quem ficou
e nem atendeste ao grito
que da praia te chegou.

Foste ao mar marinheiro
partindo sem me chamar.
Se me amas, nunca esqueças:

Não partas sem me levar.

SS

quarta-feira, 24 de abril de 2013

PONTO DE PARAGEM



 
A tua vida é um turbilhão
de busca 
e com tudo quanto ela te deu
traçaste uma linha de viagem
cujo fim não se adivinha
e tu próprio desconheces.

Mas nesse teu caminhar
ao sabor da aragem
onde quer que eu esteja

encontrarás sempre em mim
o teu ponto de paragem.


SS

terça-feira, 23 de abril de 2013

OUVIR-TE

Não sei viver
no vazio do som das palavras
das sílabas
das letras.

Mais do que escrevê-las
ou lê-las
gosto de as ouvir.

E do som das tuas, meu amor,
é a força que alimenta o meu viver
e a cada dia me proíbe desistir.

SS