sexta-feira, 19 de abril de 2013
EU EM TI
Nunca me disseste
o que pensas
ou sentes por mim.
Entrei na tua vida
sem dizer porquê
e como ficaste calado
arrumei-me por lá
num espaço que não sei qual é
e que nem sequer foi demarcado por ti
mas onde eu me acolhi
e em que espero,
a cada dia que passa,
perceber se sentes
que eu estou ali.
Será que não ainda não reparaste em mim
ou o silêncio tão próprio de ti
é a forma que encontraste de me dizer um Sim?
SS
quinta-feira, 18 de abril de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
FALAR
Sinto falta da palavra
não da social
nem a do cumprimento casual
mas da debatida,
da travada à volta
da que gera discussão,
porque alvo de muita opinião,
muita filosofia
e muita frase feita.
Contudo
quanto mais o sentido do objecto em causa
é desconhecido
mais surge quem o quer esclarecer
utilizando teorias semânticas,
sintaxes alternativas
e até evolução da morfologia
esquecendo o conteúdo
ou outros princípios mais
que apenas servem
para disfarçar a ignorância
de quem sobre o saber só tem ganância.
Nós, os que gostamos da palavra,
e que nos servimos dela
para dar vida a um qualquer tema,
não precisamos de público nem luzes da ribalta
para a celebrar.
Isso não passa de um esquema
para quem não é ouvido, mas insiste em falar.
SS
de quem sobre o saber só tem ganância.
Nós, os que gostamos da palavra,
e que nos servimos dela
para dar vida a um qualquer tema,
não precisamos de público nem luzes da ribalta
para a celebrar.
Isso não passa de um esquema
para quem não é ouvido, mas insiste em falar.
SS
sábado, 13 de abril de 2013
TEMPO
Nós não temos tempo
nem mesmo uma imagem dele.
É uma aragem que surge entre nós
que nos atravessa sem passagem.
Nunca o sentimos,
não o medimos
e não o conseguimos ver.
Tempo é algo
que escorre pelos dedos
e se alberga na nossa alma.
E como não o conseguimos aí deter
buscamo-lo continuamente
para o tentar apreender.
Tempo para nós
Limita-se ao estar
sem limites
sem dúvidas.
Tempo para nós é só ficar.
SS
quinta-feira, 11 de abril de 2013
PERDI A ALMA
Perdi a alma
nas pequenas coisas
do quotidiano;
nas conversas trocadas
pelas ruas
com gente que vagueia;
nas notícias
que se cruzam
ocas e sem destino;
na chuva
que cai sem parar
no inverno desta primavera;
nas flores
que não abrem
porque se apagou o sol;
nos dias
que se sucedem
em discordante sequência;
perdi a alma
por mim
por ti
por nós
pela ausência…
SS
domingo, 7 de abril de 2013
METÁFORA PESSOAL
São longos e escusos os caminhos
desta jornada
de que não vemos o rumo nem o ponto de chegada.
A cada passo que damos
o nosso esforço em entender
parece arrastar-nos para o caos e para o nada.
Esta indefinição é uma zona escura
que nos confunde
e nos perturba qualquer reflexão.
Melhor será esperar o fim da tempestade
para recomeçarmos do ponto de partida
com novos e transparentes meios de visão.
Para que o nosso mundo nos pareça mais claro
caminhemos afastando-nos dos prédios
pois só assim nos aperceberemos da cidade.
SS
desta jornada
de que não vemos o rumo nem o ponto de chegada.
A cada passo que damos
o nosso esforço em entender
parece arrastar-nos para o caos e para o nada.
Esta indefinição é uma zona escura
que nos confunde
e nos perturba qualquer reflexão.
Melhor será esperar o fim da tempestade
para recomeçarmos do ponto de partida
com novos e transparentes meios de visão.
Para que o nosso mundo nos pareça mais claro
caminhemos afastando-nos dos prédios
pois só assim nos aperceberemos da cidade.
SS
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