terça-feira, 19 de março de 2013
PROCURA
Procuro-te
nas pequenas coisas do dia a dia,
no que fiz e no que deixei de fazer,
em cada manhã que se abre em rosa
e em cada tarde que se fecha em azul marinho,
ao anoitecer.
Procuro-te como sou
nos sítios em que imagino estar,
mas onde afinal não estou.
Procuro-te no tempo que sinto passar
e naquele que espero há-de vir,
mas nunca sinto chegar.
Procuro-te no longe e no perto
no que conheço e no que desconheço,
no princípio do tempo e no seu fim.
A minha vida é toda uma procura
que só terminará quando te tiver
todo por inteiro ajustado a mim.
SS
segunda-feira, 18 de março de 2013
REGRESSO
diluído dentro de nós
que nos mantém tão vivos
como o respirar.
Não interessa para onde
para quê
ou para quem,
apenas sabemos que temos de voltar.
SS
sábado, 16 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
POEMA OCTOGÉSIMO
Frágeis como os ossos de um cristal,
os meus pensamentos aninham-se na noite
para construir o poema. A minha dor branca prefere
a luz que prenuncia a madrugada, luz bailarina
que me ilumina a pele molhada de alegria
sempre que faço em ti o trabalho doce da abelha
e me deito sobre o teu corpo para provar da vida
o melhor de todos os néctares, o mais completo
dos versos que o teu sangue me dá. Continuo
Frágeis como os ossos de um cristal,
os meus pensamentos aninham-se na noite
para construir o poema. A minha dor branca prefere
a luz que prenuncia a madrugada, luz bailarina
que me ilumina a pele molhada de alegria
sempre que faço em ti o trabalho doce da abelha
e me deito sobre o teu corpo para provar da vida
o melhor de todos os néctares, o mais completo
dos versos que o teu sangue me dá. Continuo
a escrever-te com o
meu corpo. Quero ganhar
o nobel da ternura
Joaquim Pessoa
terça-feira, 12 de março de 2013
É saborosa esta espera para te falar
cada dia ao final da tarde.
Não é exactamente como esperar
veres-me à saída do comboio
com ar de quem vai apenas a passar
e por acaso, muito por acaso ,
levantares os olhos e
Oh! espanto!
dares comigo acabada de chegar.
Mas à falta de melhor
poder dizer-te olá
cada dia, ao final da tarde
dá para alimentar
esta excêntrica fome de te amar.
SS
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