Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


segunda-feira, 4 de março de 2013

[Lê, são estes os nomes das coisas que]

Lê , são estes os nomes das coisas que
deixaste – eu, livros, o teu perfume
espalhado pelo quarto; sonhos pela
metade e dor em dobro, beijos por
todo o corpo como cortes profundos
que nunca vão sarar; e livros, saudade,
a chave de uma casa que nunca foi a
nossa, um roupão de flanela azul que
tenho vestido enquanto faço esta lista:

livros, risos que não consigo arrumar,
e raiva – um vaso de orquídeas que
amavas tanto sem eu saber porquê e
que talvez por isso não voltei a regar; e
livros, a cama desfeita por tantos dias,

uma carta sobre a tua almofada e tanto
desgosto, tanta solidão; e numa gaveta
dois bilhetes para um filme de amor que
não viste comigo, e mais livros, e também
uma camisa desbotada com que durmo
de noite para estar mais perto de ti; e, por

todo o lado, livros, tantos livros, tantas
palavras que nunca me disseste antes da
carta que escreveste nessa manhã, e eu,

eu que ainda acredito que vais voltar, que
voltas, mesmo que seja só pelos teus livros.

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

sábado, 2 de março de 2013

AQUELE ABRAÇO


Um dia vou partir
e procurar aquele amor que se foi consumindo
pelos anos que passaram
e nos lugares que percorri.

Atravessarei terras e mares
levando como meta o meu desejo
de recuperar aquele abraço
que deixei de ter quando te perdi.


SS

sexta-feira, 1 de março de 2013


Tristeza
é uma tarde de solidão
num jardim sem flores
em dia sem sol

e vazio de amores.

SS

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


Se o nosso amor esperar pela Primavera
desabrochará em todo o seu esplendor.
Já não será só  botão a lembrar esperança,
mas tapete banhado pelo sol e pela cor,
leito natural para todo o desejo contido
que apagaremos com beijos sabendo a mel
e abraços onde se cruzam a fome com o ardor.

SS

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CHAVE

Contam-se em dias
horas
minutos
e muitos segundos
as folhas deste diário.

Escritas com amor 
desejo 

ternura 
e muita saudade
são chave mestra do meu relicário.


SS

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SONHOS


 

Por vezes ao sonhar

componho com cada imagem que me agrada

uma realidade tão apetecida

que com ela construo todo o meu quotidiano.

Contudo o azar, a má sorte 

ou então “fadas más” que me invejam,

entretêm-se a desfazer esses projectos 

em pó e nada.
SS