Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sábado, 9 de fevereiro de 2013

O PRIMEIRO COR DE ROSA DESTE ANO

 
 
Os galhos nodosos, fartos do inverno,
abriram para o céu azul,
de fresco pintado,
emoldurando,
num acabamento perfeito,
uma pincelada de rosa a anunciar,
se bem que precocemente,
a Primavera a chegar.

SS
 
 

 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

INVERNO PESSOAL


Neste princípio de Inverno,

chuvoso e frio,

descobri, por acaso

que um pingo de sol inesperado

caíra nos meus cabelos.

Agarrei-o para me aquecer.



Como isso não aconteceu

eu percebi

que o que pensava ser o fulgor do sol,


reflectido sobre a minha cabeça,

eram as fatais primeiras cãs

começando a aparecer.



SS

 
Foto de Onésimo Teotónio de Almeida

sábado, 26 de janeiro de 2013

VIDA


A cada dia que passa
revejo o meu passado
e pensando em tudo quanto ele me deu
tento tirar lições para o futuro.

Mas se o primeiro foi longo e cheio,
como o são as jornadas de verão,
o segundo peca pela escassez do tempo
lembrando a exiguidade dos dias de inverno.

Que estranha é a esta vida…
que tudo nos dá quando não a sabemos totalmente usar
e tudo nos vai retirando quando,
já conscientes do saber e da verdade,
decide por nós o momento da partida.


SS

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Primeiro levaram-me os teus olhos
depois o calor das tuas mãos
e o sabor do teu sorriso.


Depois, quando já só restavam as palavras
ditas na rapidez do afastamento
e já não entendidas
como quando as sentia a sair directas do coração,
uma luz nasceu
brilhou mais que todas as outras estrelas
e fez de nós um novo sol.


Percebi então que o nosso tempo não se tinha acabado
nem perdido.
Andava somente desviado.


SS

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

FOTO


De ti vou tendo apenas a memória
dos tempos partilhados
que são curtos momentos
neste tempo quase adolescente
em que temos sido nós.

Por isso valorizo de forma especial
o sorriso
o gesto
as carícias
e os olhares
captados numa foto,
uma só,
e que falam por nós 

no espaço destes nossos longos silêncios.

SS