Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Sorriso



Tinha um olhar doce
risonho e penetrante
onde se adivinhava já o longe que buscava
e  prometia ultrapassar utopias
partilhando-as com amores inumeráveis.

Sei algo sobre as utopias.
Pouco sei dos amores.
No homem actual
Nenhuns deles são legíveis.
Algo contudo permanece:
Uma forma de sorrir,
Que conta muito mais do que parece...


SS

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

ESPERA DE UM TEMPO NOVO


 

De tudo quanto te escrevi
rasguei as palavras uma a uma.
Fui perdendo o sentido delas
no uso exaltado que lhes dei
e na repetição de algumas
escolhidas tão somente para rimar.
Duvido até que tenha conseguido,
no meio dessa confusão.
dizer alguma vez o essencial.
Por isso recolhe-as todas tu também
dos sítios onde as tens guardadas.
Como tudo que chega ao fim
deves deitá-las fora
porque deixaram de nos servir.
Só poderemos recomeçar
um novo e desafiante ponto de partida
abandonando as palavras estafadas
e criando outras para um tempo
que seja inovador
e que trace um sentido diferente
àquilo que tem sido até aqui a nossa vida.
SS

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


O tempo escorre por mim
sem se deixar agarrar
nem medir.

Perdi a conta de tudo aquele em que não te vi

não te tive, nem senti. 
Faltas-me 

a cada dia, a cada hora, a cada instante…

Mas que estranho coisa será esta

de pensar em algo ou alguém

e sentir-lhe a falta
mesmo quando não se a tem?
SS

 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

EROS


Posso ir ter contigo

na ponta de um raio de sol,

no bico de uma gaivota

ou, se por acaso me atrasar,

montada numa estrela cadente

que me deixará no sítio em que te encontrar.

Esse é um lugar especial onde ninguém nos verá

nem o próprio amor que,


se já não fosse cego,

cegaria,


não por pudor,

mas para não nos perturbar.


SS

domingo, 16 de dezembro de 2012


Foi bom rever-te
mesmo que numa simples fotografia
que para o resto dos conhecidos é coisa vulgar
sobretudo para quem tem a sorte de te ver
nesta corrente que são os dias a passar. 

Eu conto cada um deles
como se cada um fosse o primeiro

em que não te vejo.
E como não antevejo 

o momento de te rever
vou tentar mergulhar na fotografia
e imaginar-me já nesses teus braços.
Sinto falta de ti, dos teus abraços
que são sempre diferentes a cada dia
quando conseguimos agarrar o fio da nossa vida
e o ver-te não é uma imagem de saudade
mas de alegria.


SS

 

 

 

 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012



Uma a uma
tenho visto esvaziarem-se as palavras
dos sons que me traziam
e me faziam apetecer usá-las.

Por isso busquei o silêncio
que me permitindo ouvir o nada
me fez mergulhar dentro de mim
e a pouco e pouco repensá-las.


O dia em que recuperar os sons perdidos
Será o momento de voltar a libertá-las


SS