Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

EROS


Posso ir ter contigo

na ponta de um raio de sol,

no bico de uma gaivota

ou, se por acaso me atrasar,

montada numa estrela cadente

que me deixará no sítio em que te encontrar.

Esse é um lugar especial onde ninguém nos verá

nem o próprio amor que,


se já não fosse cego,

cegaria,


não por pudor,

mas para não nos perturbar.


SS

domingo, 16 de dezembro de 2012


Foi bom rever-te
mesmo que numa simples fotografia
que para o resto dos conhecidos é coisa vulgar
sobretudo para quem tem a sorte de te ver
nesta corrente que são os dias a passar. 

Eu conto cada um deles
como se cada um fosse o primeiro

em que não te vejo.
E como não antevejo 

o momento de te rever
vou tentar mergulhar na fotografia
e imaginar-me já nesses teus braços.
Sinto falta de ti, dos teus abraços
que são sempre diferentes a cada dia
quando conseguimos agarrar o fio da nossa vida
e o ver-te não é uma imagem de saudade
mas de alegria.


SS

 

 

 

 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012



Uma a uma
tenho visto esvaziarem-se as palavras
dos sons que me traziam
e me faziam apetecer usá-las.

Por isso busquei o silêncio
que me permitindo ouvir o nada
me fez mergulhar dentro de mim
e a pouco e pouco repensá-las.


O dia em que recuperar os sons perdidos
Será o momento de voltar a libertá-las


SS

sábado, 8 de dezembro de 2012


Trago-te em mim
como se fosses uma parte do meu ser.

Pelos teus olhos vejo

a verdade dos sentimentos
e a face das emoções.
Pelas tua mãos
aprendo a separar
as diferentes texturas do amor.
Pela minha boca
se soltam as palavras que pronuncias.
Pelo meu corpo inteiro
corre todo o calor do teu.
As minhas veias alimentam-se do teu vigor
sempre que me acaricias.

Só existo porque te tenho em mim


SS

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

UM DIA SERÁ...


Um dia o sol vai nascer
e não mais se porá.
Certamente a lua
não se vai importar
de ficar esquecida
porque adora ficar escondida

para saber o que vai acontecer.

Nesse dia em que o sol  aparecer
e não mais se porá
vamos renascer.
Não precisaremos de luz,

do brilho dos astros
ou da sua cor
pois seremos só nós
os únicos senhores do nosso universo.

E a nossa história,
vivida em anos, sem frente nem verso,
vai tornar a ser
aquilo que foi:
um caso de amor.


SS

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

FIM DE TARDE




Faz frio neste fim de tarde
de inverno antecipado.
O sol não bastou
para nos aquecer o corpo
e muito menos a alma.
Mas o que é preciso mesmo
É termos calma
e sorrir.

Antes frio com sol
do que com chuva a cair.

 SS