Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012



Uma a uma
tenho visto esvaziarem-se as palavras
dos sons que me traziam
e me faziam apetecer usá-las.

Por isso busquei o silêncio
que me permitindo ouvir o nada
me fez mergulhar dentro de mim
e a pouco e pouco repensá-las.


O dia em que recuperar os sons perdidos
Será o momento de voltar a libertá-las


SS

sábado, 8 de dezembro de 2012


Trago-te em mim
como se fosses uma parte do meu ser.

Pelos teus olhos vejo

a verdade dos sentimentos
e a face das emoções.
Pelas tua mãos
aprendo a separar
as diferentes texturas do amor.
Pela minha boca
se soltam as palavras que pronuncias.
Pelo meu corpo inteiro
corre todo o calor do teu.
As minhas veias alimentam-se do teu vigor
sempre que me acaricias.

Só existo porque te tenho em mim


SS

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

UM DIA SERÁ...


Um dia o sol vai nascer
e não mais se porá.
Certamente a lua
não se vai importar
de ficar esquecida
porque adora ficar escondida

para saber o que vai acontecer.

Nesse dia em que o sol  aparecer
e não mais se porá
vamos renascer.
Não precisaremos de luz,

do brilho dos astros
ou da sua cor
pois seremos só nós
os únicos senhores do nosso universo.

E a nossa história,
vivida em anos, sem frente nem verso,
vai tornar a ser
aquilo que foi:
um caso de amor.


SS

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

FIM DE TARDE




Faz frio neste fim de tarde
de inverno antecipado.
O sol não bastou
para nos aquecer o corpo
e muito menos a alma.
Mas o que é preciso mesmo
É termos calma
e sorrir.

Antes frio com sol
do que com chuva a cair.

 SS

sábado, 1 de dezembro de 2012

A FLORBELA ESPANCA



O povo falava, mas nada dizia

Perante uma vida grávida da dor

Tua companheira de tantas jornadas

Mesmo daquelas que julgavas de amor.


O povo falava, mas não admitia

A imagem desprezível que de ti criou

de árvore seca que morreu sem frutos  

história inventada por quem te invejou.


O povo falava, mas nada fazia

Porque a cobardia sempre se cala

Frente à força de quem quer voar.

Um dia voaste. E o povo ainda fala…

SS



Não lamentes quem já se ausentou.
A eternidade é algo sem lugar,
sem princípio e sem fim
para onde todos caminhamos
e donde ninguém voltou.

Quando lá chegarmos
não vamos pensar no que deixamos
nem no que está para vir.
Teremos à nossa espera
todos quantos partiram antes
para prepararem o nosso caminho.

E nesse espaço, que julgamos tão distante
porque nos chama sem avisos,
ficaremos lado a lado com quem já nos deixara
mas que, felizes pelo reencontro,
nos recebem sempre com sorrisos.


SS