sábado, 8 de agosto de 2009
Não sei se é saudade,
Este vazio que sinto e que me escorre pelo corpo.
Não! Talvez seja apenas a falta do teu corpo,
o sentir a tua pele a enxugar a minha,
as tuas mãos a procurarem os meus dedos e a cruzarem-se com eles,
o teu olhar que vem lá do fundo e se derrama sobre mim no justo instante em que acabas de me amar. Será mesmo que é só saudade este vazio que sinto?
ss
Este vazio que sinto e que me escorre pelo corpo.
Não! Talvez seja apenas a falta do teu corpo,
o sentir a tua pele a enxugar a minha,
as tuas mãos a procurarem os meus dedos e a cruzarem-se com eles,
o teu olhar que vem lá do fundo e se derrama sobre mim no justo instante em que acabas de me amar. Será mesmo que é só saudade este vazio que sinto?
ss
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Porque somos como pássaros
talvez me encontres
um dia
num cruzamento de voos.
Os meus marcados pelo cansaço
mas ricos pelos saberes ganhos
que me fizeram atingir
metas desconhecidas.
Os teus traçados
com o sabor da esperança,
do chegar mais alto,
e a avidez por novas rotas
que a tua juventude
e os teus sonhos
te permitem.
Ao contrário de mim
tu não sentes limites
podes partir para mil e uma aventuras
As tuas asas não estão ainda cansadas
e tens todo o mundo na mão.
Não serão contudo
estas diferenças,
que irão impedir
que talvez me encontres
um dia
num cruzamento de voos
à volta da poesia
SS
Nunca fui a África
por isso África para mim
era uma interrogação
cujas respostas procurava
nas páginas dos livros,
nas imagens das revistas
ou nos filmes
de guião made in Hollywwod.
Quando te encontrei
o teu coração falou-me da sua alma
que era chegada à tua,
do cheiro da terra em que te reconheces
e que conservas impregnado na pele.
Nos teus olhos assisti ao espectáculo
das cores dos jacarandás,
desfrutei dos crepúsculos sobre o mar
e das noites de luar na selva
entre animais e sons de batucadas.
As tuas palavras continham o sentir das gentes
e o respirar de uma atmosfera
diferente da minha
e que te pulsava nas veias
como se lá tivesses nascido.
E porque me buscaste,
trazendo dentro de ti esta vivência,
contagiaste-me com a tua África,
bem diferente daquela que eu imaginara,
mas que passou a ser a minha também.
SS
quinta-feira, 14 de maio de 2009
SAUDADES DO MAR
Hoje eu fui ver o mar
Há quanto tempo eu não o via!
Há tanto
Que quando caminhava
Tive receio de já não o reconhecer.
Mas fui,
A medo
Pensando que ele iria estar diferente
Ou até já não existisse
Claro que esta última premissa era falsa.
Se eu existo é porque estou na terra
E a terra para ser terra
Tem de ter o mar.
Não me aproximei.
Vi-o de longe
Para que ele não me visse a mim.
Como o mar deve estar zangado comigo
Julgando que eu o esqueci!
À distância a que fiquei
Via-o, mas não o sentia
Talvez porque era maré baixa
E ele, calmo,
Vinha morrer silencioso
Espraiando-se na areia.
A minha ânsia dele
Pedia um mar agitado,
A saltar o esporão
Derramando a espuma nas rochas
E apagando com o estrondo
Da queda da água
O grasnar rouco das gaivotas.
O que respeito no mar
E mo faz amar
É a sua força telúrica.
Hoje finalmente eu fui de novo ver o mar
Mas não matei as saudades
Porque se sumira de mim.
IL
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