Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 2 de setembro de 2008

PURIFICAÇÃO

A brisa 
trouxe-me o aroma maresia e da túnica que me cobria. 
Entrei na água 
Para me despir 
Do fogo 
Que aquela luz 
Acendera. 
Nadei seguindo uma linha 
Que não via 
Mas que acreditava 
Que me ia levar 
A um lugar do horizonte 
Onde recuperasse na minha nudez 
A veste branca perdida 
E o meu ser fosse devolvido 
à lua  a que pertenço 

Soror S


sábado, 30 de agosto de 2008

MOURIR D'AIMER - CHARLES AZNAVOUR

A nossa história não tem passado 
É apenas presente feito de espaços escondidos, 
de tempos cronometrados, de abraços furtivos. 
A nossa história não é uma historia de amor. 
É uma história de encontros/desencontros 
que tentamos agarrar entrelalando os dedos para que o momento não nos fuja. 
Por isso a nossa história está guardada na parte clandestina dos nossos corações, 
aquele lugar onde preservamos todos os nossos pecados e intimidades. 
É uma história de desejo apetecido 
Disfarçado em ternura. Soror S

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Have I told you lately that I love you

TEMPO

Dia a dia marquei no calendário O tempo da ausência. Enchi os meus dias de passeios pela praia para acompanhar o voo das gaivotas e sonhar que podia ir com elas levar-te os meus sonhos e desejos do tempo de regresso. Misturei os meus papéis de trabalho com as palavras do Aznavour e às vezes do Sinatra para não sentir os dias que passavam sem voltares. Mudei três vezes as rosas vermelhas da minha jarra e tu não chegaste a vê-las. Agora vou colorir o resto dos dias com a cor da esperança para que este novo tempo que falta seja um tempo breve e que as gaivotas me devolvam os meus sonhos e os desejos do tempo de regresso. Soror S

Back Home Again - John Denver