sexta-feira, 29 de agosto de 2008
TEMPO
Dia a dia marquei no calendário
O tempo da ausência.
Enchi os meus dias
de passeios pela praia
para acompanhar o voo das gaivotas
e sonhar que podia ir com elas
levar-te os meus sonhos e desejos
do tempo de regresso.
Misturei os meus papéis de trabalho
com as palavras do Aznavour
e às vezes do Sinatra
para não sentir os dias que passavam
sem voltares.
Mudei três vezes
as rosas vermelhas
da minha jarra
e tu não chegaste a vê-las.
Agora vou colorir o resto dos dias
com a cor da esperança
para que este novo tempo que falta
seja um tempo breve
e que as gaivotas me devolvam
os meus sonhos e os desejos
do tempo de regresso.
Soror S
REGRESSO A CASA
Depois da ausência
Sempre que regresso a casa
Espera-me o cheiro bom
Do meu quotidiano.
Abertas as janelas
Os objectos têm outra dimensão
E afago-os
Como se os tivesse perdido
Para sempre
Mas os tivesse reencontrado e com eles o lar.
Por isso preciso de os tocar Para os sentir.
São eles que me dão a certeza do regresso.
Em cada volta a casa Eu nasço outra vez
im
Sempre que regresso a casa
Espera-me o cheiro bom
Do meu quotidiano.
Abertas as janelas
Os objectos têm outra dimensão
E afago-os
Como se os tivesse perdido
Para sempre
Mas os tivesse reencontrado e com eles o lar.
Por isso preciso de os tocar Para os sentir.
São eles que me dão a certeza do regresso.
Em cada volta a casa Eu nasço outra vez
im
NOVO DIA
Após a chuva de ontem
Nasceu de novo o sol.
Um gato veio espreguiçar-se
Languidamente na minha varanda.
As gaivotas atravessaram o céu
Por cima de casa
E não gritaram
Como nos últimos dias.
Sentei-me no jardim
E deixei-me envolver
pela luz estival.
Senti que agora estava tudo bem
Que já não precisava de partir
Para me afastar de ti
E do teu desassossego.
Deixei-me embalar pela brisa…
A sombra da buganvília
Criou estranhos arabescos no meu corpo.
Um torpor estranho se apossou de mim
E, quando acordei,
Já o sol desaparecia devagar
Para dar lugar à lua cheia outra vez.
im
LUA CHEIA DE AGOSTO
Desperta, amor, O sol já brilha Se bem que a lua, Curiosa, Ainda se recuse a partir. Talvez por isso E porque me convidaste A partilhar a lua cheia de Agosto, Que ainda não chegou Apenas se adivinha No crescente desenhado no meu céu, Estejas nessa prostração. Desperta, amor Quero-te bem vivo. Espero o teu sorriso Ou melhor, as tuas gargalhadas Aquelas que me prometes-te Quando me achaste. Abre a janela, amor Deixa entrar o sol Não na casa, mas em ti. Deixa os seus raios Brincarem com o teu nariz Enquanto repousas no sofá. Desperta, amor. Abre o coração à vida, Recusa sair de cena E volta. Tens de saber separar o dia da noite. Só com essa certeza posso aceitar O teu convite Para partilhar a lua cheia de Agosto.
SOROR S
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